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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

As coisas.

Felicidade é olhar pra dentro e gostar do que vê.
Deus é quando a gratidão é maior que a gente.
Nostalgia é quando a saudade fica triste.
Arte é uma extensão não-material de cada um.
Perdão é lealdade.

Fazer o bem é nossa obrigação.
Hipocrisia é fingir que não se tem auto-crítica.
Sinceridade é acreditar no que se diz.
Carta é querer ser lembrado por alguém.
Crueldade é burrice.

Rispidez é medo de ceder e acabar sofrendo.
Imagem é mais importante pra gente que pros outros.
Dor só pode ser entregue e retirada do próprio reflexo.
Inveja é pena de si mesmo.
Amor é tudo.

Amigo é o dono do abraço que parece ser o mundo todo.
Fotografia é vontade de lembrar que valeu à pena.
Problema existe só na nossa cabeça.
Casa é onde o silêncio é algo reconfortante.
Magia é real.

sábado, 3 de julho de 2010

Eu

Sou o que penso,
Escrevo, sinto, canto e falo.
E sou limitada.

Mas o que penso,
Escrevo, sinto,
Canto e falo é infinito.

Não escrevo, canto e falo
Tudo o que sinto.
Não sinto tudo o que penso.

Não penso no que escrevo,
Não penso quando falo ou canto.
Mas sinto.

E escrevo, canto e falo
Quando penso.
(Nem sempre sinto).

Não escrevo, canto e falo
Tudo o que penso.
Não penso em tudo o que sinto.

Sou o que quero,
O que acredito,
O que vejo e tenho.

Mas não vejo tudo o que quero,
Não quero tudo o que vejo,
Não tenho tudo o que quero.

E não acredito em tudo o que quero,
Não quero tudo em que acredito,
Nem acredito em tudo o que tenho.

Não vejo tudo em que acredito
Nem acredito em tudo o que vejo,
Não.

Sou o que sei,
O que acho,
E o que sou.

Muito embora eu não saiba
O que acho que sou
Ou o que acho que sei.

Nem sei se acredito em tudo que canto,
Vejo que acredito no que escrevo e falo.
Acho que não sei se me acredito.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Pensamento de janela nº 1

Tendo em vista tudo o que já consegui,
Cada vez que fiz alguém além de mim sorrir,
Trago enraizada em mim a certeza, subentendida,
De que posso conseguir o que bem quiser na minha vida.

Tudo o que já passei em silêncio,
Cada defeito tão criticado que eu minuciosamente corrigi...
Os abismos mais profundos do meu pensamento
Aos quais, sem que ninguém notasse, sobrevivi.

E, tenha sido minha salvação pessoas ao meu redor,
A música que eu tanto amo ou minha implacável fé.
O fato é que, dramas à parte, ainda que cambaleante, estou de pé.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Paradeiro.

Eu sumi.
Não sei aonde fui parar.

Então eu vou sair
Por aí
A me procurar.

Talvez eu hoje seja
Exatamente o que eu quero ser
- e esteja em algum beco
Ou alguma esquina a me esconder (de mim).

Talvez eu seja por completo
O meu lado mais obscuro,
E talvez eu mereça estar ao lado de Deus...
Ou algo assim.

Mas não tenho como saber:
Eu sumi!
Não me posso imaginar
Se já quase me esqueci.

Por isso vou sair
Por aí a me procurar.
Mas só no dia em que a coragem
Resolver me reencontrar.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Me digam o que é senão amor

Me digam o que é senão amor:
O acreditar em palavras proferidas,
O estremecer a cada mínimo toque,
Os tantos abraços com vocação para beijo,
O alívio da reciprocidade descoberta,
O imediatismo que me invade,
A (quase) falta de importância da opinião alheia,
O olhar pra trás e não poder senão sorrir,
A saudade doer mais que qualquer coisa,
O fato de a palavra "anjo" ser a única boa o suficiente como descrição.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Abstinente

Nem lá nem cá, nem lá nem cá.
Estou dentro e fora, estou no meio.
E paralelamente, numa redoma.
Só minha. E mais deles do que minha.

E sou parte desse todo,
esse monstro,
esse louco que chamam de mundo.
Mas estou fora.

Sou o bobo da corte,
nunca fui a princesa.
Mentiram pra mim o tempo todo.
Eu menti.

Estou sozinha.
Vulnerável aos meus próprios devaneios -
consequência das minhas angústias acumuladas,
que por sua vez são decorrentes de... De que mesmo?

Aonde foi parar minha certeza?
Aonde foi parar a minha voz?
Queria mesmo era libertar-me desse bicho tosco
No qual me transformei.

Será que eu sempre fui assim?
Será que um dia isso passa e não volta?
E será que, se não volta,
Eu não volto mais também?

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Talvez nada tivesse sentido - nem sequer o que não foi vivido

Talvez fosse tudo mesmo "uma sombra que passa",
E talvez a vida não tivesse a mesma graça,
A mesma vida, a mesma cor, o mesmo gosto.
Talvez eu mesma não tivesse o mesmo rosto,
Vivacidade e o coração pra poder ver.

Talvez trouxesse eu hoje
Meu coração inteiro roto
Aos pedaços, quase morto
Se não fosse por você.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Pôr do sol

Eram dois pares de olhos
Onde um intimidava
E o outro se deixava intimidar

Monissílabos se tornaram
Uma conversa envergonhada
Que logo se tornaria
Um passeio sob o luar

E contando as estrelas
Falaram de tudo
Se sentaram pra ver o dia amanhecer

Logo mais, haveria a distância
E ela lhe perguntava, pois queria saber:
"Mesmo estando cada um em um canto do mundo,
Você pensa em mim se eu pensar em você?"

Sem resposta imediata
Cada um seguiu seu rumo
E ele pensava "eu assumo o risco de lhe esquecer"

Mas o que ninguém sabia
Enquanto findava aquele dia
Era o que, de fato, poderia acontecer

Anos depois a menina, escondida,
Escrevia sobre a vida em páginas de papel
E talvez, das páginas, a mais lida,
Fosse aquela... Dos tempos de contemplar o céu.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Parte de Mim.

Eu digo coisas que quero dizer
Fora do tom que queria dizê-las
Eu grito, ofendo, magoo e decepciono
Justo aqueles que queria que se orgulhassem de mim.

Mas não sou eu que falo.
É a parte descontrolada de mim,
É parte irrelevante de mim,
É a parte covarde, fraca e imperfeita de mim.

É a parte que só deveria se expor quando estou sozinha.
E justo quando não há testemunhas
A parte dócil, determinada e perfeita surge
E como que por encanto me faz ter orgulho por tê-la como parte de mim.

E não sei dizer porque, quando me cercam,
A parte hornrável de mim se acovarda
E ofende, magoa, decepciona
Tal qual a parte covarde de mim

Não devia ser assim
Não deviam haver duas partes
Se cada parte se divide em mil partes
Já não faço ideia de que parte me agrada.

Não quero mil partes de mim,
Não quero duas partes de mim,
Quero uma única:
Doce e determinada.