quinta-feira, 6 de agosto de 2009

As regras do jogo.

Tenho escutado com freqüência coisas como “não desista”, “pense positivo”, “tenta de novo”. Mas vou ser sincera: é difícil.
Parece que não importa o quanto você estude: nunca consegue uma boa nota em matemática. Ou não importa quanto você economize: nunca sobra dinheiro no final do mês. Ou até, não importa o quanto você durma: você sempre tem sono.
E aí, de repente, aparece alguém que não estuda e sempre se dá bem em matemática. Alguém que compra tudo o que vê pela frente e sempre tem dinheiro sobrando para comprar mais. Alguém que dorme as quatro da manhã, acorda as seis e fica bem o resto do dia.
Sempre tem um infeliz (infeliz?) que chutou C na prova toda e passou acima da média enquanto você ficou feliz por não zerar a prova.
O que eu quero dizer é que quem chega “lá” (não importando se "lá" é o primeiro lugar numa corrida de saco ou numa universidade de medicina) nem sempre foi quem realmente mais se esforçou. Entre ganhar e perder existe muita coisa que foge do nosso controle. Nervosismo, por exemplo. Suborno, por exemplo. É, o mundo tem dessas surpresas.
Ter que competir não seria tão injusto se todos fossem honestos.
Eu acho esse mundo muito injusto. As regras foram marcadas antes mesmo de eu nascer. Ninguém me perguntou o quão desumano eu acho todo esse esquema de vestibular, ninguém me perguntou se eu queria ficar mais cinco minutos na cama (e eu quero).
Mas quer saber? Aquelas pessoas que disseram “não desista”, “pense positivo”, “tenta de novo”, estavam certas desde o começo. O mundo é injusto? É. Porque nem sempre o acaso (ou a sorte, ou o destino, ou quem prefira) está do nosso lado.
Não vou entrar nessa de “encaremos tudo na vida como um grande desafio, parte de algo maior, bla bla bla” porque, embora acredite nisso, não pretendo catequizar ninguém com um texto, tampouco transformar meu post em “O Segredo – Parte 2”. Mas uma coisa é certa: se não há esforço, as chances de se frustrar são bem maiores. Se você der tudo de si e não passar de ano, você deu tudo de si. Ninguém poderá dizer o contrário (nem você mesmo, o que é mais importante).
Seria mais fácil nascer sabendo tudo de matemática? Seria. Me pouparia vários fins de semana estudando e algumas lágrimas. Mas nem todo mundo é bom em literatura, eu sou (sou mesmo, ok).
Pessoas são diferentes, tem maneiras diferentes de pensar (graças a deus).
Seria melhor poder comprar tudo o que eu quero? Seria bom. Mas talvez, com muito dinheiro, eu acabaria por me tornar aquele tipo de pessoa vazia que tanto critico.
Seria melhor dormir uma hora e meia e ficar bem o resto do dia? Nossa! Isso então seria ótimo! Mas que outra hora no meu dia eu teria para sonhar?
Se não tivesse com quem competir (pessoas, nervosismo e suborno) ganhar não teria a mesma graça.
A graça da vida são os obstáculos, as dificuldades. Quem tem tudo na mão não valoriza, e quando perde, não sabe recuperar.
Quem nunca tem que se esforçar, quando perder sua base (dinheiro, pessoas, ou qualquer outro) dificilmente vai conseguir se reerguer.
E eu? Quando conquistar tudo o que quero, vou me sentir plena. E se perder, vou saber fazer o caminho de volta até ganhar tudo de novo.


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Mais um texto para o Blorkutando. Tentei fazer menor dessa vez. Acho que não consegui DD:



3 comentários:

Lilly disse...

Foi quase que uma descrição minha esse 2º parágrafo. E você tem razão, nem sempre quem ganha é quem mais se esforça.
Essa tal de competição... ;S
Adorei seu post!!

Beijos.

Babizinha disse...

Moça... Tem selinho pra vc lá no meu blog!
S
em tempo pra ler seu post (sinceridade!), depois deixo um comentário decente!
;**

cary. disse...

aaaaaaaaaaaaaaaaaaah, simplesmente AMEI o seu texto e te dou os parabéns, já que você consegue escrever de uma forma gostosa, qeu não cansa o leitor. ADOREI girl *:

[http://colunadacary.zip.net]